Depois da criação de “As Palavras não Ditas”* em 2005, resultado da colaboração com a coreografa alemã Susanne Linke, ficou pelo papel e por várias conversas a criação de uma nova obra.
A Susanne Linke, em cada conversa dizia – “jump into the oil, e deixar sair o que tiver que sair, sem te preocupares, depois vais encontrar o que tens para falar”.
Na verdade, não existiu até ao presente um pretexto maior para voltar a abordar a linguagem coreográfica mais expressiva, baseada em conteúdos sociais e políticos específicos.
Algo que me interessa particularmente.
Se a criação de 2005 falava de uma temática muito própria – a situação dos artistas na Alemanha durante o regime Nazi, este novo trabalho fala da situação das pessoas, num momento de falência do sistema financeiro, político e social, nacional e europeu. Da perda das referências do mundo social, tal como o conhecemos.
Senti vontade de voltar ao mesmo cenário para falar sobre um tempo atual e presente.
Falar de situações concretas que me invadem diariamente e, que gritam por se fazer ouvir.
Este discurso já não é a solo. Este discurso é cheio de adjetivação e simbologia, produto da geografia dos dias.
O cenário embora pareça o mesmo, sofreu ao longo da criação uma nova abordagem. O cenário é partilhado com outro intérprete e criador.
A criação nasceu da partilha entre duas mentes ativas e criativas, da projeção de vivências e da vontade de reagir contra a situação que as pessoas atravessam.
*Coprodução CDCE, Centro Cultural de Belém, Goethe Institut Lissabon. Estreia CCB a 19 de Novembro de 2005.
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