O Fado é a essência, a voz de Amália a inspiração.
O corpo o canal para criação de uma coreografia plena de lirismo.
A criação apresenta um diálogo lírico entre o fado, o corpo e o vídeo.
A história remete-nos para esse mundo particular e nacional, que é o Fado. Um mundo lúgubre, um lugar sem tempo, inscrito na matéria do sonho e do desejo. Os Fados ecoam em cena como aromas das relações de homens e mulheres.
Os corpos falam a voz da saudade.
Os corpos envolvem-se em encontros e desencontros, ou abandonam-se à paixão.
Numa atmosfera cénica e visual marcada pela voz de Amália, e por imagens do bairro de Alfama em Lisboa, os corpos dos bailarinos exploram diversos ambientes, suportados por sequências coreográficas, que exploram o corpo a solo, ou descrevem ações em coletivo. A genética das emoções é desenvolvida na relação que o corpo estabelece com outros corpos, com a música, ou com o vídeo.
A coreografia molda a música nos corpos e movimentos dos bailarinos, sem nunca querer ser uma ilustração das canções de Amália, mas uma matéria plena de poética.
Cada momento fala da vida no dia a dia de Alfama. Fala de um lugar no tempo onde persiste na genética das gentes, a saudade, e o fado ecoa pelas ruelas estreitas e se espelha no Tejo.
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