2008

Estudo para Fausto 2.8

Direcção | Dramaturgia Rafael Leitão
Co-criação Rafael Leitão| Nélia Pinheiro | Eliana Campos
Musica
Chosen Lords “Batine Acid”
Interpretes Rafael Leitão | Eliana Campos
Figurinos Nélia Pinheiro | Rafael Leitão
Desenho de Luz Rafael Leitão | Pedro Bilou
Composição Vídeo Infimoframe

Design Gráfico Nuno Abreu
Fotografias de Cena Jorge Gonçalves
Condução de Luz Pedro Bilou
Condução de Som Rute Gil
Produção CDCE | Rute Gil

Duração 55 min
Escalão Etário Maiores de 10 anos

CDCE Estrutura Financiada Ministério da Cultura | Direcção Geral das Artes | Câmara Municipal de Évora

Estreia Lisboa | Centro Cultural de Belém | 19 de Janeiro de 2008

Imagens  |  Video

“Life’s made of experiences and emotions. The objects I created make them tangible”
Louise Bourgeois, 1997


Estudo para Fausto 2.8 surge na sequência de Laboratorium Faust (Wroclaw, Pl, 2002) e Estudo para Fausto (Hosltebro, Dk, 2003). Uma vez mais o texto de Goethe, Fausto – parte 1, surge como pretexto para a exploração de comportamentos de vidas distorcidas.
Ao longo dos tempos, o homem tornou-se capaz de manipular os comportamentos e a essência da vida. O personagem Fausto traduz um exemplo, um indivíduo que procurou manipular e transcender o sentido da vida para encontrar na vivência egocêntrica um novo caminho para o Homem. Pelo percurso perdeu-se.
Goethe ao colocar em palco o percurso de um indivíduo distorcido, confuso e apaixonado, residente num estado de semi-obscuridade procurou que esse exemplo fosse benéfico aos homens. Actuasse como espelho e, por consequência, estimulasse à tomada de atitudes, conduzisse à transformação.
A abordagem à obra de Goethe é subjectiva, não segue a lógica original interna, nem procura descrever paralelismos, ao contrário, constrói uma linha dramatúrgica própria, que utiliza como instrumentos principais a linguagem dos processos terapêuticos experimentados por Charchot e Freud.
Reflecte-se sobre a evolução do homem no território da ciência, mais especificamente no campo da exploração da mente e do subconsciente.
O trabalho corporal que caracteriza a peça reconstroi a pré-expressividade do corpo em movimento e em discurso directo. A partir da exploração de padrões de movimento vindos do quotidiano, de estados privados, íntimos e performativos, desenvolve-se a consciência das decisões do corpo e das suas intenções.

A pesquisa começa por questionar o movimento do corpo a partir de estímulos da mente, interiores, associados a recordações. Uma psicanálise do movimento que redescobre os vários estados psíquicos explorados por Freud e Charchot. Estados manipulados que induzem a uma vivência e provocam transformação.
Estudo para Fausto 2.8 apresenta o percurso de transformação de um indivíduo.

A cenografia
O Lab representa um espaço psíquico composto por diversos compartimentos que exploram zonas conscientes e subconscientes da mente. Várias celas nascem de um corredor central. Este representa um dos longos corredores sem vida, que existem nos hospitais e a passagem do tempo na vida do ser humano.
Nas celas manifestam-se vários tipos comportamentos humanos. É um círculo que roda e roda… consequentemente, cada cela trata de um tipo de prazer, o voyeurista, o prazer de olhar e de ser olhado. São pequenos espaços que existem próximos uns dos outros, como as células do sangue que estão juntas, mas no entanto estão separadas.
O espaço cénico foi inspirado na obra de Louise Bourgeois (1911) “Passage Dangereux” (1997), mas depois da sua descoberta no Room 8 da Tate Modern, em Londres, tornou-se pessoal, autobiográfico.
Os objectos do interior são indutores de acções reais, reflexos de vivências pessoias. Os espelhos representam a vaidade e, ao mesmo tempo a não-aceitação. O que é, ao contrário do que és.
Num certo sentido, o espaço encerra a memória. E a memória em si representa uma forma de arquitectura como refere Louise Bourgeois.

O PÚBLICO
Na peça o espectador é activo, parte da acção, tem autonomia e a possibilidade de tomar decisões. Questionar diferenças entre pontos de visão, diferentes padrões de leitura.
What are you looking at, from where?
Procura-se questionar a relação entre intérprete e espectador, em termos de proximidade física, raio de actividade e passividade, reconhecimento, identificação.
Trabalha-se a partir da perspectiva do espectador, fornecendo diferentes aspectos de um acto isolado através de um ciclo de repetições de acções.
O espectador entra para o espaço não para assistir a uma representação mas para fazer parte dela. Todos estão próximos de uma atitude performativa. Do privado ao público.

Imprensa

“ Estudo para Fausto 2.8 é uma coreografia de Rafael Leitão, na qual o espectador assume um papel importante e activo, desenvolvendo a capacidade de tomar decisões. “

in Revista Sábado | 17/01/2008

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